Clamor é um projeto performativo e ensaístico / instalativo que parte da aproximação entre o toque manual do sino e a corda vertical, colocando em diálogo a arte sineira e práticas artísticas contemporâneas como a acrobacia aérea, o movimento e a percussão experimental.
O projeto propõe um dispositivo de exploração física e mecânica inspirado em sistemas de cordas, roldana e forças de tração – um espaço onde corpo, som e objeto se influenciam mutuamente, numa tensão contínua entre peso e suspensão, tradição e deslocamento, eficácia e falha.



O dispositivo cénico, pesado, metálico e inflexível, confronta a vulnerabilidade orgânica do corpo que o aciona, estabelecendo um desequilíbrio contínuo. É nesse regime desigual e assimétrico de contrapeso, impulso e desistência que a performance se constrói, transformando esforço e resistência em som, ciclo e insistência.
O projeto faz uso da expectativa e do desconforto como forma de provocação, desafiando a sensação e o limite e intencionalmente fazendo uso da frustração enquanto ferramenta, propondo ao próprio público uma viagem sensorial e estética afastada do entretenimento.
Com Clamor questionam-se as convenções e conceções existentes sobre o que constitui um aparelho de circo, contestando a relação hierárquica convencional de mestria / domínio entre aparelho e performer. Suspendendo esta hierarquia o corpo deixa de controlar totalmente o aparelho e o aparelho deixa de servir simplesmente o corpo, abrindo novas formas de interação e escuta. É neste espaço ambíguo de negociação que se produzem relações de cuidado, confronto e presença, indagando possibilidades e intenções no gesto e construindo ciclos de esforço, pausa e reverberação.
Pensado para espaços não convencionais, o projeto desafia ideias de acesso, autoridade e sacralidade, ativando uma contaminação entre corpo, dispositivo e arquitetura. A performance propõe uma forma de atenção prolongada, numa experiência de proximidade e circulação. O público é convidado a escolher o seu ponto de vista e a habitar o intervalo entre expectativa e acontecimento, ensaiando o seu ponto de vista e a deambulando entre expectativa e desejo, desconforto e entrega.


Concebido e interpretado por Margarida Montenÿ, com apoio à criação e acompanhamento de Silvana Ivaldi, criação e interpretação sonora de Pedro Góis e André Dias, com composição de Antonio Marotta, desenho de luz de Pedro Nabais e conceção da estrutura cénica por Emanuel Santos.
Projeto inserido dentro da Plataforma In-Situ 2025/2028
Clamor é uma criação apoiada pela Bolsa de Criação Outdoor Arts Portugal, com coprodução da Bússola / 23 Milhas, do Festival LEME (Ílhavo) e da Casa Varela (Pombal), e conta também com a coprodução do Teatro Virgínia / Município de Torres Novas e Erva Daninha.
Projeto financiado pela República Portuguesa – Direção Geral das Artes e Fundação GDA.
4 de Dezembro de 2025 – Estreia do projecto, no Festival LEME, em Ílhavo.
5 de Dezembro de 2025 – Museu Marítimo de Ílhavo, Festival LEME.
6 de Dezembro de 2025 – Museu Marítimo de Ílhavo, Festival LEME.
7 de Dezembro de 2025 – Museu Marítimo de Ílhavo, Festival LEME.
13 de Dezembro de 2025 – Claustros do Antigo Convento de Santo António, Pombal.
14 de Dezembro de 2025 – Claustros do Antigo Convento de Santo António, Pombal.
19 de Junho de 2026 – Teatro do Campo Alegre, Trengo – Festival de Circo do Porto.
20 de Junho de 2026 – Teatro do Campo Alegre, Trengo – Festival de Circo do Porto.
16 de Julho de 2026 – Braga, Vaudeville Rendez-Vous.
18 de Julho de 2026 – Guimarães, Vaudeville Rendez-Vous.
10 de Outubro de 2026 – Teatro Virgínia, Torres Novas.